quarta-feira, 11 de novembro de 2009

500 Dias com Ela

Gênero: Comédia, Drama, Romance
Duração: 95 min.
Roteiristas: Michael H. Weber e Scott Neustadter
Diretor: Marc Webb

O título original do filme, 500 Days of Summer, chama a atenção pelo “trocadilho” com o nome do personagem principal. Summer (verão) é a linda moça por quem Tom Hansem apaixona-se. Na verdade, 500 Dias de Verão seria o mais apropriado, mas as traduções são sempre um mistério.

O filme conta, em tom de crônica (reforçado pela locução em off), os 500 dias vividos desta relação marcado, aleatoriamente, através de um cronômetro na tela.

Summer (Zooey Deschanel) é uma linda jovem com exuberantes olhos azuis que esquenta qualquer coração. Tom (Joseph Gordon-Levitt) é um rapaz das antigas, que acredita que o amor existe, e abre mão da carreira de arquiteto para trabalhar numa empresa de cartões postais melosos. Ambos se conhecem e começa uma relação trivial.

O que poderia ser apenas uma comédia romântica, como as milhares que aparecem por aí, transforma-se num filme extremamente espirituoso sobre uma questão que afeta todos nós: O que é, e para que serve o amor?

O diretor Marc Webb aposta todas suas fichas, nesta produção prá lá de independente, nas imagens de diversos estilos de tom bem light, mas com profundos significados. Um bom exemplo disso é quando o rapaz tem sua primeira noite de sexo e sai às ruas como um personagem dos antigos musicais, cantarolando e dançando, interagindo com os transeuntes.

O filme, no entanto, manifesta sua melhor parte para o final. Os últimos dias passados com Summer são de pura amargura, modificando-se inclusive a textura e as cores da fotografia (de Eric Steelberg, o mesmo de Juno). Há uma sequência deliciosa do rapaz amargurado, assistindo um filme francês estilo Nouvelle Vague, demonstrando o sábio uso das imagens. Estas brincadeiras metalingüísticas aproximam os personagens dos espectadores que entendem perfeitamente a mágoa do pobre Tom, identificando-se abertamente com a história.

Além de tudo, Marc presta uma grande homenagem ao próprio cinema, retratando algumas cenas famosas de alguns clássicos (O Sétimo Selo, Um Homem, Uma Mulher, etc.), fechando com a reprodução, na íntegra, da sequência final de A Primeira Noite de um Homem com Dustin Hoffman e Katherine Ross.

Do elenco, só há elogios. Zooey Deschanel finalmente deslancha como atriz após os péssimos desempenhos em O Fim dos Tempos e Sim, Senhor. Ela realmente nos convence que é uma criatura fácil de apaixonar-se. Além de Joseph Gordon-Levitt, que encarna com naturalidade o apaixonado Tom.

O filme é deliciosamente corriqueiro, mas o roteiro jamais repete os clichês ou estereótipos das comédias românticas, tornando 500 Dias com Ela uma das maiores surpresas de 2009.

Nota: 8,5

Crítico: Ricardo Pinto

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Os Fantasmas de Scrooge

Gênero: Ação, Drama, Fantasia
Duração: 96 min.
Roteirista: Robert Zemeckis
Diretor: Robert Zemeckis

A Disney é conhecida, principalmente, pelos seus clássicos filmes baseados em livros infantis, tais como Branca de Neve e os Sete Anões, Cinderela, Peter Pan, A Bela Adormecida, Aladim (que, na verdade, é um personagem da obra clássica "As Mil e uma Noites"), Alice no País das Maravilhas, entre outros que eu não consigo lembrar nesse exato momento.

Agora, com a mais pura certeza, posso dizer que Os Fantasmas de Scrooge (baseado no livro "Um Conto de Natal", de Charles Dickens) entra nessa seleta lista de clássicos Disney.

O filme, que usa a tecnologia "3D motion capture", a mesma usada em filmes como O Expresso Polar e A Lenda de Beowulf, conta a história de Ebenezer Scrooge, um velho mesquinho e mau-humorado que começa as suas férias de Natal como de costume, berrando com seu fiel assistente e com seu alegre sobrinho. Todavia, quando os fantasmas dos Natais Passado, Presente e Futuro o levam em uma surpreendente jornada que revela as verdades que o velho Scrooge reluta em enfrentar, ele deve abrir seu coração para desfazer anos de maldades antes que seja tarde demais.

Jim Carrey, que interpreta tanto Scrooge velho e jovem, como os três fantasmas do filme, é sem palavras nesse longa, com seu jeito de atuar esplêndido. Talvez pelo filme usar uma tecnologia citada como "nova" no cinema, eu não consiga falar sobre as atuações dos atores do filme, já que eles são mudados através do computador, por isso, falaremos sobre o visual do filme.

O visual meio natalistico e sombrio do filme é completamente lindo. O jeito que a câmara se move por toda a cidade no começo do filme e as viagens feita pelos fantasmas tanto ao passado como no presente e no futuro são belas. É meio que impossível você não se comover como todo o esplendor que o filme proporciona ao público.

Os Fantasmas de Scrooge é, com certeza, um dos filmes mais lindos e cativantes desse ano que já se vai.

Nota: 9

Crítico: Vinicius Ebenau

domingo, 8 de novembro de 2009

Michael Jackson's This Is It

Gênero: Documentário
Duração: 121 min.
Diretor: Kenny Ortega

A gente só da a falta de alguma coisa quando perdemos ela, certo? Michael Jackson, eterno Rei do Pop e o novo "deus" desse mundo que vivemos (já que, antigamente, ele era chamado pela maioria da população mundial de pedófilo e louco), é um desses casos.

Jackson, antes de sua morte, estava se preparando desde abril, no
Staples Center, em Los Angeles, Califórnia, para fazer uma turnê em Londres, que acabaria com todas suas dividas.

Depois de dois meses de sua morte, foi anunciado que um filme com registro dos mesmos ensaios dos shows que Michael faria estava sendo feito, sendo que agora foi lançado oficialmente por apenas duas semanas o filme/documentário Michael Jackson's This Is It.

O filme, como dito anteriormente, mostra cenas dos últimos ensaios de Michael, morto por parada cardíaca em junho desse ano, para a turnê 'This is It' (as quais TODOS os ingressos para a turnê haviam sendo vendidos).

Seriam 50 apresentações com mais de 1 milhão de pessoas, com mais de 760.000 ingressos vendidos em 18 horas durante a pré-venda, 20.000 ingressos por hora e aproximadamente 334 por minuto, com uma fila de espera de pessoas de mais de 200 países, um recorde mundial.

Na minha opinião, acho que a única razão do porque esse documentário foi feito, além da grande quantia em dinheiro que o filme irá arrecadar (parte dos ganhos do filme serão revertidos para o Michael Jackson Family Trust, entidade que Jackson, segundo especificado em seu testamento, aponta como beneficiária de todos os seus bens), é para mostrar o quão assaz f*da estava Michael, dançando e cantando maravilhosamente, o que é mostrado em certas músicas como "Human Nature", "They Don't Care About Us", "The Way You Make Me Feel", "Black or White", "Earth Song" e "Man In The Mirror".

Seu corpo pode não mais estar entre nós, porém sua música e seus passos de danças inesquecíveis sempre continuarão em nossas lembranças.

Nota: 7

Crítico: Vinicius Ebenau

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Alô, Alô, Terezinha!

Gênero: Documentário
Duração: 95 min.
Diretor: Nelson Hoineff

O slogan deste documentário dirigido por Nelson Hoineff não poderia ser mais apropriado. Ele diz o seguinte: “O filme que veio para confundir e não para explicar”, o que é corretíssimo tratando-se de Alô, Alô, Terezinha!, um documentário que pretendia traçar um painel sobre o mais famoso apresentador da televisão brasileira Abelardo Barbosa, o Chacrinha.

A pretensão de Nelson era recriar o universo desta figura emblemática de nossa TV através de depoimentos de artistas e colaboradores da época, mas infelizmente não alcança seus objetivos e, o que é pior, consegue difamar a imagem do Chacrinha através dos paupérrimos testemunhos, principalmente das chacretes.

A edição é errada e maldosa, pois humilha até os parentes do apresentador, como no caso da esposa do Chacrinha, Dona Florinda, quando ela fala sobre as impossíveis traições do marido. Imediatamente à sua declaração, há um corte para uma chacrete afirmando que Chacrinha tinha um caso com Clara Nunes. E logo após, outro corte para a própria Clara Nunes beijando Chacrinha no rosto em um de seus programas.

O filme é, então, transformado num abarrotamento de imagens decadentes, sem o mínimo de preocupação de ser linear e de traçar algum painel sobre o documentado.

Nelson amplia ao máximo a degradação humana dando destaque a fatos sem importância, como a desilusão amorosa de Vera Furacão por um médico homossexual ou a revelação da Índia Potira em gostar apenas de homens bandidos. Outro ponto negativo é a aparição de antigos calouros semi analfabetos cantando, desafinados, insuportáveis trechos de canções que em nada contribuem para esboçar a figura de Chacrinha.

Ao longo da projeção, vamos percebendo que Nelson não tem nenhuma intimidade com a câmera, jogando na tela imagens tão desconexas que só servem para salientar o empobrecimento de toda uma geração.

Ao contrário do documentário sobre Simonal, Alô, Alô, Terezinha! não dá ao espectador nenhuma escolha de avaliação, senão rir (e chorar de pena) das infamantes chacretes deformadas pelo tempo, falando de suas aventuras sexuais e expondo suas carnes flácidas e gordas para o público, que a esta altura encontra-se enojado por tanta difamação.

Sinceramente: Chacrinha merecia uma homenagem à altura de seu talento e criatividade e não este festival de horrores e repulsa que Alô, Alô, Terezinha! consegue alcançar.

Nota: 3

Crítico: Ricardo Pinto

sábado, 31 de outubro de 2009

Fados

Gênero: Documentário
Duração: 90 min.
Roteirista: Carlos Saura
Diretor: Carlos Saura

Carlos Saura abandonou o hábito de fazer filmes com narrativas convencionais, para adotar uma postura voltada apenas para o olhar sobre determinados assuntos ligados aos fatores culturais de uma região. Foi assim em Tangos, Ibéria, Salomé, e agora em Fados.

O filme não é um documentário sobre a manifestação portuguesa mais conhecida mundialmente, mas sim um super clipe de 90 minutos sobre as diversas formas do fado, apresentado por variados artistas de diversas nacionalidades incluindo Chico Buarque, Caetano Veloso e Toni Garrido.

No filme, Saura desobriga-se a dar qualquer explicação sobre as origens do fado assim como seus representantes mais notórios. Sente-se a falta de entrevistas e de um roteiro que desenvolva o tema. A verdadeira intenção de Saura não era revelar a procedência deste gênero musical, e sim apenas mostrá-lo sob a ótica essencialmente artística. Há diversos números de dança que destoam do contexto geral e apresentações desconexas, tornando o filme, por vezes, chatíssimo.

No entanto, a poderosa dramaticidade que o fado exala é mais forte que as pequenas intenções de Saura e, para quem tem raízes portuguesas verdadeiramente fortes (como é meu caso), o filme alcança momentos de puro deleite e arrebatamento.

O curioso é que, num filme feito por um espanhol sobre uma expressão artística portuguesa, o que mais arrebata a platéia é ouvir um brasileiro (Caetano Veloso) cantando em falsete, o fado “Estranha Forma de Vida” de Amália Rodrigues.

Nota: 6

Crítico: Ricardo Pinto

domingo, 25 de outubro de 2009

Te Amarei Para Sempre

Gênero: Drama, Romance, Ficção Científica
Duração: 107 min.
Roteirista: Bruce Joel Rubin
Diretor: Robert Schwentke

Não sou muito fã de filmes do gênero Romance. Não gosto e nunca gostei. Prefiro mais assistir filmes com pancadaria e dar risadas do que assistir a um filme sobre um casal. Apenas poucos filmes de Romance fizeram me emocionar, e Te Amarei Para Sempre não conseguiu tal feito, na realidade, nem chegou perto.

Baseado no livro A Mulher do Viajante do Tempo e quase no mesmo estilo Efeito Borboleta, o filme conta a história de Henry DeTamble, um bibliotecário que sofre de uma rara modificação genética, que o faz viajar pelo tempo involuntariamente. Numa de suas viagens, ele conhece a pequena Clare, que se apaixona por ele imediatamente. Ano após ano, ela espera sempre no mesmo lugar que este estranho viajante retorne. Até que os dois, finalmente, se encontram e a paixão começa. Porém, o curso da vida de Clare é normal e, quando ela menos espera, seu grande amor desaparece, quase toda hora, sem data para retornar. E é aí que toda a trama se desenrola.

Logo no começo, já vemos o quão confuso, sem nexo e sem explicação nenhuma é o filme. Nas cenas em que Henry volta ao passado, nós nunca sabemos qual é a idade dele na hora, sendo que, em raríssimas vezes, é dada alguma dica sobre o mesmo.

O filme também pula muito o tempo e quase não consegue parar em uma cena por 8 ou 10 minutos. O casal principal, interpretados por Eric Bana e Rachel McAdams, também é um casal "sem sal", parecendo que não há nenhuma química entre os dois na tela.

Com um dos finais mais ridículos/bestas que eu já vi, Te Amarei Para Sempre é mais uma perda de tempo e dinheiro nos cinemas.

Nota: 4

Crítico: Vinicius Ebenau

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Distrito 9

Gênero: Ação, Drama, Ficção Científica
Duração: 112 min.
Roteiristas: Neill Blomkamp e Terri Tatchell
Diretor: Neill Blomkamp

Todo mundo sabe que não é de hoje que alguns filmes de baixo orçamento estouram em bilheterias por se destacarem, em geralmente, um projeto inusitado. Mas de dois anos para cá, isso cresceu demais, felizmente. Depois de Cloverfield - O Monstro, [Rec], Busca Implácavel e Se Beber, Não Case!, chegou a vez de Distrito 9 mostrar que fez jús ao fenômeno de bilheteria e críticas positivas ao redor do mundo. E pode ter certeza. Neill Blomkamp começou com o pé direito.

Seja por um realismo impressionante, o modo de filmar ou a história, Distrito 9 entra como uma surpresa super agradável que faz com que o gênero de Ficção Científica sinta que ainda há meios de tornar tudo ainda mais interessante. Mesmo que, por vezes, tenhamos que utilizar alguns clichês. E Blomkamp entende isso.

A trama começa na década de 80, onde uma nave alienigena acaba de pousar em cima de Joanesburgo, na África do Sul, onde fica imóvel durante três meses. Passado o tempo, os humanos decidem invadir a nave, encontrando Et's em condições péssimas, doentes e desnutridos. O Governo africano decide criar uma área para agrupar-los, denominada Distrito 9. Acontece que com o tempo, as coisas saem do controle. O abrigo de torna uma favela, dominada por tráfico, miséria e injustiças. As pessoas que moram perto decidem forçar o governo, por medo, a restringir o local alienígina, para que não aja caos. Mas tudo vai de mal a pior, onde decidem retirar quase dois milhões de Et's do distrito para levár-los a outro acampamento há 200 km longe da cidade, que na verdade é um campo de concentração. E para tal evacuação, Wikus Van De Merwe é encarregado do despejo destes extraterrestres. É aonde tudo acaba piorando de vez.

Falar mais da trama é colocar em risco as surpresas do filme e isso eu não poderia fazer. O que eu posso fazer é dizer quanto Distrito 9 vale a pena ser assistido. As questões de morais predominam todo o filme e a sensação (rara hoje em dia) de raiva sobre os humanos acabam inquietando o telespectador. Questões sobre preconceitos, crueldade e injustiça, fazem a visão do primeiro longa de Neill Blomkamp enchergar além de alienígenas e mostrar que aquilo tudo poderia estar acontecendo com outros seres humanos, de outros costumes, sem serem necessariamente, alienígenas. E mostram, para nós, como o mundo de hoje está ainda mais sujo pela ganância de capitalismo e poder, fazendo com que, inconsientemente e incorruptívelmente, os humanos façam de tudo para obterem sempre mais e mais.

Em questões técnicas, Blomkamp acerta mais uma vez, em um design detalhado, interessante, diferente e em certos momentos, cativante. Há outros claro, que ele consegue predominar o mistério do desconhecido, o desespero e a aflição, junto com cenas magníficas de ação, mas sempre mantendo o bom desenvolvimento do roteiro. E colocar Sharlto Copley como o personagem Wikus, foi perfeito. Você pode odiar e amá-lo ao mesmo tempo, simplesmente fascinante.

Já os mais puristas acusam Distrito 9 de ser um projeto que começa totalmente novo, para cair na solução mais fácil do monótomo. Eu não creio nisto. Apesar de concordar que a abertura de sensacionais 30 minutos do filme seja brilhante, o projeto não teria forças para chegar até o fim seguindo aquela linha de estratégia por um simples motivo: frieza. Sim, frieza. Apesar de brilhante e muito interessante, não há carisma e cativação pelo longa neste período, já que ele emprega uma forma impessoal de contar sua história, e isso involuntariamente, acabaria afastando o telespectador de sentir toda aquela crueldade, de uma forma mais humana e pessoal e é evidente que a chave desta pelicula, que se divide entre um documentário e um filme, que por diversas vezes, emocional, chama-se Wikus. Apesar de brilhante, a atuação não é somente o mérito desta chave e sim, por ele ser responsável por o telespectador sempre ver tudo dos dois lados. E lá vai outro mérito para Neill Blomkamp.

Blomkamp estava cogitado para dirigir a adaptação de Halo, que foi cancelado pela discórdia entre a Microsoft e a Universal Pictures, fazendo com que Peter Jackson (da trilogia de Senhor dos Anéis) voluntariamente financiasse um projeto para que Neil torna-se seus trabalhos mais famosos e conhecidos. E não vejo como melhor ele poderia ter conseguido tudo isso.

Lido uma vez, encerro a crítica sobre a seguinte frase: "Distrito 9 é um tapa na cara dos seres humanos cada vez mais egoístas e ambiciosos".

Nota: 9,5

Crítico: Derek Klein
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Peter Jackson é um visionário. Após o estrondoso sucesso pela trilogia de O Senhor dos Anéis e a refilmagem milionária de King Kong, este neozelandês, através de sua produtora busca novos talentos e investe grana em produções de alta qualidade criativa e inovadoras. É o caso deste Distrito 9 de Neill Blomkamp. A premissa original de todo o filme foi baseada num documentário de curta metragem de 2005, escrito e dirigido pelo próprio Neill, que descrevia as lutas da interação sociais entre os habitantes da Johanesburgo e aliens.

Usando o mesmo tom documental do curta, Neill apresenta uma das mais criativas ficções científicas dos últimos tempos. A abordagem sócio-política da história é valorizada pelo interessante trabalho técnico que utiliza a câmera subjetiva e a fotografia digital como um elemento de identificação com o público.

O roteiro traz a tona uma questão ainda muito enraizada na África do Sul. O Apartheid que segregou milhares de seres humanos por décadas é retratado de forma bastante peculiar numa ácida crítica aos sistemas políticos. A sujeira, pobreza e miséria as quais os aliens são submetidos é a prova mais contundente que os alienígenas não passam de criaturas marginalizadas sem nenhum acesso a uma vida melhor.

A história não contém elementos ufanistas babacas nem faz nenhuma alusão ao heroísmo humano. O personagem Wikus Van De Merwe é pateticamente sistemático e obediente às regras de sua empresa. Ironicamente sofre as conseqüências dos atos extremistas levando-o a total degradação física e moral. A violência é muito bem empregada e a tropa de elite científica combate as criaturas com a mesma truculência das polícias das cidades de 3º mundo.

O filme é uma lufada de frescor no mar modorrento de produções americanas do gênero ficção, pois além de explorar um tema polêmico, faz um julgamento muito esperto sobre a natureza humana do século 21.

Nota: 8,5

Crítico: Ricardo Pinto

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